Se você passa algum tempo nas redes sociais, provavelmente já viu dezenas de "transformações" envolvendo bichectomia — aquela cirurgia que remove as "bolas de Bichat", as estruturas de gordura na região das bochechas, para criar um contorno facial mais definido. O procedimento virou febre, especialmente entre jovens que desejam um rosto mais magro e angular. O problema, e o Dr. Ralf tem falado abertamente sobre isso com seus pacientes, é que a bichectomia está sendo indicada de forma indiscriminada, sem avaliação adequada das consequências a longo prazo e — crucialmente — sem considerar alternativas que poderiam resolver o problema estético de forma mais inteligente.
Este artigo não é contra a bichectomia. É a favor de decisões informadas. O Dr. Ralf, com mais de 20 anos de experiência em estética dental e facial, acredita que o paciente precisa entender o que está fazendo, por quê está fazendo e quais são as consequências reais antes de qualquer procedimento irreversível. Vamos explorar a questão em profundidade.
As bolas de Bichat são corpos de gordura encapsulados localizados na região das bochechas, no espaço entre os músculos mastigatórios. Elas têm a função de facilitar o deslizamento dos músculos faciais durante a mastigação e têm importância no contorno facial, especialmente em crianças e adolescentes. Não são gordura corporal comum — não diminuem com dieta ou exercício físico.
Com o envelhecimento natural, há certa migração e diminuição dessas estruturas, o que contribui para o contorno facial mais definido que as pessoas associam a adultos maduros. A bichectomia antecipa artificialmente esse processo, removendo cirurgicamente total ou parcialmente essas estruturas.
O desejo pela bichectomia geralmente surge da percepção de um rosto "redondo" ou "cheio", muitas vezes associada ao desejo de um contorno mais triangular, com maçãs do rosto mais proeminentes e mandíbula mais definida. E aqui começa o primeiro problema: muitas vezes, o rosto "redondo" não é causado pelas bolas de Bichat, mas por outros fatores — e a bichectomia, nesses casos, não vai resolver o problema.
Esta é a conexão que as redes sociais raramente mostram. A percepção de que o rosto é muito redondo, as bochechas são muito cheias ou o sorriso é muito largo pode ter origem diretamente na posição dos dentes e das arcadas dentárias. E aí entra o papel da ortodontia.
Uma mordida cruzada posterior — onde os dentes superiores ficam por dentro dos inferiores nos cantos — pode fazer as bochechas parecerem mais protuberantes do que são. Uma arcada superior estreita, que não acompanha corretamente o contorno do lábio superior, cria uma aparência de rosto mais cheio e um sorriso que parece "afundado" no meio. A expansão da arcada superior por meio de aparelhos ortodônticos pode transformar completamente a aparência do sorriso e do contorno facial — sem nenhuma cirurgia.
O Dr. Ralf frequentemente recebe pacientes que vieram pedir informações sobre bichectomia e, após a análise das fotografias e modelos digitais, percebe que o problema real é de ordem dental e ortodôntica. Nessas situações, a indicação cirúrgica seria um erro — e um erro irreversível.
Um sorriso gengival excessivo — aquele em que a gengiva aparece muito ao sorrir — ou um sorriso que parece muito largo em relação ao rosto são queixas frequentes entre quem pensa na bichectomia. Mas novamente, a solução raramente está na remoção das bolas de Bichat.
O sorriso gengival pode ser resolvido com procedimentos muito menos invasivos, como o reposicionamento do lábio superior com toxina botulínica (nos casos leves a moderados), gengivoplastia (remodelação da gengiva), ou em casos mais complexos, com cirurgia ortognática. O Dr. Ralf avalia cada caso individualmente e propõe a solução mais conservadora possível antes de cogitar qualquer procedimento cirúrgico.
Já o sorriso que parece muito largo para o rosto pode estar relacionado à proporção entre os dentes e a arcada — uma questão ortodôntica ou protética, não cirúrgica. O contorno dos dentes, o posicionamento das comissuras labiais e a harmonia entre dentes e lábios são elementos que o planejamento digital do sorriso, uma ferramenta que o Dr. Ralf domina com profundidade, consegue analisar e propor soluções sem bisturi.
A bichectomia é apresentada nas redes sociais como um procedimento simples, rápido e de baixo risco. Na prática, como qualquer intervenção cirúrgica, tem riscos. Mas além dos riscos operatórios clássicos — infecção, sangramento, lesão de estruturas adjacentes como o nervo facial e o ducto parotídeo — há um risco de longo prazo que é muito raramente discutido: o envelhecimento acelerado.
O rosto humano envelhece perdendo volume naturalmente. As bolas de Bichat, ao serem removidas, antecipam esse processo de forma irreversível. O resultado imediato pode ser o rosto mais definido que o paciente desejava, mas com o passar dos anos, a mesma pessoa pode desenvolver um aspecto de face esquelética, com sulcos acentuados e um envelhecimento precoce que nenhuma quantidade de preenchimento conseguirá corrigir completamente.
O Dr. Ralf observa que pacientes que realizaram bichectomia na juventude e chegam ao consultório com 40, 50 anos apresentam frequentemente queixas relacionadas ao aspecto envelhecido do rosto — exatamente o oposto do que desejavam quando fizeram o procedimento.
O Dr. Ralf não é contra a bichectomia quando bem indicada. Em pacientes com estrutura facial genuinamente muito larga, com hipertrofia das bolas de Bichat que realmente contribui de forma significativa para a aparência indesejada, e após avaliação que descartem causas dentais e ortodônticas do problema, o procedimento pode ser uma opção válida.
A indicação mais sólida é em pacientes adultos — preferencialmente acima dos 25 anos, quando o desenvolvimento facial está completo e a gordura facial natural está estabilizada — com avaliação criteriosa de como o envelhecimento vai impactar o resultado ao longo do tempo. Uma simulação digital do envelhecimento facial pode ser uma ferramenta útil nesse planejamento.
O Dr. Ralf enfatiza que a bichectomia, quando indicada, deve ser realizada por profissional habilitado — cirurgião buco-maxilo-facial ou cirurgião plástico com experiência no procedimento — com planejamento detalhado e expectativas realistas.
A ortodontia moderna vai muito além de alinhar dentes tortos. O posicionamento tridimensional dos dentes e das arcadas dentárias tem impacto direto no contorno facial, no suporte dos lábios e na harmonia do terço inferior do rosto. O Dr. Ralf trabalha em conjunto com ortodontistas parceiros para oferecer planos de tratamento integrados que consideram tanto a saúde dental quanto a estética facial.
Em muitos casos que chegam ao consultório do Dr. Ralf com queixa de rosto redondo ou sorriso largo, a solução está em uma combinação de ortodontia para posicionar corretamente as arcadas, restaurações ou facetas para harmonizar o comprimento e a forma dos dentes, e eventualmente toxina botulínica para ajustes funcionais e estéticos — tudo sem nenhum procedimento cirúrgico irreversível.
A bichectomia é permanente?
Sim. As bolas de Bichat, uma vez removidas, não se regeneram. É um procedimento irreversível, o que torna a indicação criteriosa ainda mais importante.
Existe uma alternativa não cirúrgica à bichectomia?
Em alguns casos, a lipoaspiração de bochecha ou a harmonização facial com preenchedores em outras regiões do rosto (como queixo e malar) pode criar um efeito de contorno similar sem remover as bolas de Bichat. O Dr. Ralf pode orientar sobre essas opções ou encaminhar para o profissional mais adequado.
A ortodontia pode mudar o contorno do meu rosto?
Em muitos casos, sim. A expansão da arcada superior, a correção de mordidas cruzadas e o reposicionamento das arcadas dentárias têm impacto real no contorno facial — especialmente no terço inferior do rosto. O Dr. Ralf avalia cada caso para determinar o potencial de melhora.
Que profissional devo consultar sobre bichectomia?
Idealmente, o planejamento deve envolver tanto um cirurgião buco-maxilo-facial ou cirurgião plástico quanto um dentista com experiência em estética facial, como o Dr. Ralf. Essa avaliação conjunta garante que todos os aspectos — dentais, oclusais e faciais — sejam considerados antes da decisão.
Posso fazer bichectomia e ortodontia ao mesmo tempo?
O Dr. Ralf recomenda sempre realizar a avaliação ortodôntica antes da bichectomia. Em alguns casos, o tratamento ortodôntico isolado resolve a queixa estética sem necessidade de cirurgia. Quando ambos são indicados, o sequenciamento adequado é definido em conjunto com os profissionais envolvidos.
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